18/06/2026 - Por: TOYOTA TSUSHO CORRETORA
Riscos climáticos e seus impactos devastadores no setor corporativo brasileiro.
Como especialista em gestão de riscos corporativos, observamos diariamente uma falha crítica no planejamento estratégico de muitas empresas: a subestimação dos eventos climáticos extremos. O mercado precisa encarar uma dura realidade: a pergunta não é mais "se" um evento climático vai acontecer, mas "quão preparado sua empresa estará quando ele acontecer" .
Os números mais recentes não mentem e deveriam estar na mesa de qualquer conselho administrativo. No Brasil, registramos um aumento chocante de mais de 520% nas ocorrências de desastres naturais quando comparamos os períodos de 1975-1979 e 2020-2024, o que representa o maior crescimento de toda a América Latina . Apenas em 2023, enfrentaremos um recorde histórico de R$ 22 bilhões em perdas econômicas devido a desastres esses . Além disso, a média anual de municípios em situação de emergência chegou a 1.340, um salto de oito vezes desde o ano 2000 .
Apesar dessa escalada, existe um dado que me preocupa profundamente: a lacuna de proteção global é de aproximadamente 60% , o que significa que a imensa maioria das perdas sofridas pelas empresas não possui nenhuma cobertura .
O Efeito Dominó nas Operações Quando um desastre atinge uma região, o impacto na cadeia produtiva é imediato e devastador . Na prática, isso se traduz em interrupção abrupta da produção, falta de matéria-prima e graves problemas logísticos . O resultado final é a perda de negócios e de mercado, além das perdas futuras por lucros cessantes — o faturamento que a empresa deixa de gerar enquanto está paralisada tentando se reerguer .
A Estratégia de Sobrevivência: Prevenção e Proteção Para mitigar esses riscos e evitar o colapso, defende uma abordagem de gestão em duas frentes indispensáveis:
- Ambiente Interno (Prevenção): As empresas precisam fazer uma lição de casa. Isso exige mapear seus riscos críticos, desenvolver planos de contingência sólidos, revisar fornecedores alternativos e focar incessantemente na garantia da continuidade operacional .
- Ambiente Externo (Proteção): É urgente mudar a mentalidade corporativa. O seguro não pode mais ser visto como uma despesa de prateleira, mas sim como um investimento e uma proteção estratégica de longo prazo . Isso envolve a contratação de louros de vulnerabilidade, a definição de valores em riscos compatíveis com a realidade e a estruturação de políticas com coberturas realmente específicas, incluindo proteção essencial contra vendas e lucros cessantes .
Não podemos controlar o clima, mas podemos, sem dúvida, controlar o quanto estamos preparados para enfrentá-lo . O momento de agir e cegar sua operação não é depois da próxima crise; é agora .